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sexta-feira, 18 de abril de 2008

Reconhecimento e valorização da arte no Brasil


Entrevista com Ricardo artista plástico e Trumai aerógrafo

Ricardo -Eu acho que a arte no Brasil é pouco valorizada, não tem tanto reconhecimento quando se trata da periferia o artista da periferia não tem acesso, eu trabalho com pintura, escultura por gostar, agora quem trabalha para viver da arte, tem muita dificuldade, nestes últimos sete anos houve uma grande abertura para a cultura, mas ainda não chegou a periferia, tudo está concentrado no centro só a elite tem acesso a museus, galerias e teatros, na periferia.
Trumai – A dificuldade é sair da periferia e entrar no mercado de artes, porque quem consome arte é a elite, é até um problema social como a pessoa não tem dinheiro nem para comprar o pão o jornal, como vai sobrar dinheiro para ele comprar uma tela, valorizar a peça até por condições do preço, ai a arte não tem valor, então começa a virar produção, se você conseguir sair da periferia e entrar no mercado, começar a pegar nome, estar nas galerias de artes, ai você consegue se dar bem, eu trabalho com aerografia carros, motos, capacetes e camisetas, só que aqui no Brasil as pessoas confunde aerografia com grafite, a aerografia é mais técnico, até por questão do jeitinho brasileiro, tem uma galera que não é nem grafiteiro e nem aerografista, ai acaba jogando o preço muito baixo, acaba sujando o mercado, é esta a minha dificuldade, eu sou aerógrafo, quando eu dou um preço aparece outro cobrando menos, esta parte técnica não é muito conhecida aqui no Brasil, ela é mais conhecida e valorizada na Europa e Estados Unidos , eu consigo vender o meu trabalho na zona sul, onde a galera conhece mais a aerografia ao contrário da zona leste, até por questão cultural, é pegar um trabalho e saber diferenciar, tudo tem uma técnica um estudo.
Espaços de exposições
Ricardo – Eu costumo expor em ONG, por falta de espaços como o Trumai disse é muito difícil sair da zona leste, difícil alcançar outros espaços, quando tem outros espaços como o MASP o custo é muito alto para o artista expor, e ai acaba ficando só na região em escolas, casa de amigo e em festa.
Trumai - É assim, o ruim do Brasil é que você para pegar nome, é mais fácil você pegar nome lá fora primeiro, ser valorizado e depois vir para cá , isto aconteceu com o Carlinhos Brown, ele teve que ser reconhecido lá fora primeiro para depois ser reconhecido aqui.
Inspiração
Ricardo – A minha inspiração em criar esculturas é o Aleijadinho, ”aquelas esculturas barrocas” não é o que eu sigo, mas na escola quando eu estudei a respeito do Aleijadinho, eu trabalho com madeiras na verdade arvores que foram cortadas e jogadas nas ruas eu pego essas madeiras, tronco de arvores e tento criar alguma obra, eu acho que cada pedaço de madeira a escultura já está lá dentro, basta a gente olhar e tentar ver o que está lá.
Trumai – A influência que eu tive, foi quadrinho, desenho na escola, nunca fui um bom aluno, sempre desenhando nas capas dos cadernos, assim eu fui desenvolvendo o meu trabalho até que chegou uma hora que não dava mais para trabalhar em outra coisa, ai eu fui pintar e estou batalhando, tecnicamente não te diferença de outros (nomes reconhecidos) é mais um problema de classe social, por eu ser da periferia, é estar sendo recebido, a galera chegar vamos ver o seu trabalho, tem que ter toda uma embalagem, chegar lá se possível nem falar que é da periferia, para poder chegar num ateliê de ponta e ser recebido, eu gosto de Van Gogh ele não foi acadêmico que tem que estar na universidade, este lance de arte acho que é da pessoa você nasce com isso, eu acho que a escola não forma artista, é mais do artista ser assim mesmo, eu sou pobre não tenho dinheiro para fazer uma boa escola, ai fui pesquisando perguntando ali aqui fui conseguindo desenvolver uma técnica legal.
Ricardo – Eu gostava muito de desenhar, comecei desenhando Mônica, cebolinha, pateta e horacio, tinha vontade de ir para uma escola de desenho, mas não tive oportunidade, o desenho ficou um pouco de lado, a uns três anos eu comecei a investir no que eu gosto, por uma questão de sobrevivência não trabalhei com aquilo que gosto, viver de arte é muito difícil, eu conheço alguns artistas que fazem exposições na Argentina no Uruguai,e no Paraguai,e aqui trabalha como camelo.
Trumai – Falta apoio do governo, eles poderiam criar alguns pontos no centro para os artistas expor, ter alguém fiscalizando para diferenciar o que é uma peça de arte e o que é material industrializado, porque quando se mistura parece uma coisa só, uma camiseta feita com aerógrafo a mão não da para concorrer com uma industrializada.
Ricardo –A arte nas escolas é de grande importância, eu tive uma professora de artes que dava incentivo, infelizmente isso se perdeu um pouco, eu participei de concursos de desenhos, fiz teatro por três anos, hoje não se vê isto nas escolas, poucas desenvolve este trabalho.
Trumai –Por questão financeira os jovens não tem muita oportunidade, esta é uma grande frustração, você gosta daquilo que faz mas é preciso ter sua estabilidade, porque chega a hora que não da ai você começa a desacreditar no seu trabalho,você vê um trabalho legal mais não consegue girar,você vê alguns ateliês em Pinheiro a tela custa dois mil três mil reais, mas é o local a embalagem, as vezes o artista é filho de alguém importante isto influencia muito, tem muitos que vai estudar na bienal na França, eu acho que nem é só na Zona Leste é São Paulo mesmo onde a elite não se mistura, é bem dividida pobre de um lado e rico de outro, eu acho que nem o Rio é assim pelo menos que diz respeito ao meio artístico.
Ricardo –Muitos artistas grandes escultores são desconhecidos e ai que entra o atravessador, que compra estas artes e vende pelo mundo, restando para o artista uma pequena quantia, hoje já existe o fundo de cultura, aqui em São Paulo ele precisa ser aplicado, assim teremos mais verbas para investir nas escolas nos espaços públicos, descobrindo assim novos talentos, já teve um avanço com o Ministro da Cultura, sendo ele um artista ele tem esta sensibilidade de investir na cultura, o que precisa de fato é mais abertura nas escolas para mostrar a essa juventude a arte popular e incentivá-las.
Trumai – O brasileiro por ter essa mistura de raças, temos tudo para ser uma potencia em termos de artes até por influência de outros Paises acaba se criando um novo estilo de fazer arte.

2 comentários:

Hiperativa Aleatória disse...

Achei muito interessante. Sou jovem, mas desenho e adoro. Não pretendo seguir carreira, na verdade, minha vontade é cursar jornalismo, mas como vocês disseram, certas profissões dão insegurança e eu sofro pressão dos familiares de fazer Direito, por mais que eu não queira, pela estabilidade financeira. É uma pena nesse país ainda existir essa importância resumida a carreiras como na medicina ou no direito, criando uma imagem equivocada da falta de importância de outras carreiras.

andre disse...

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