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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011


Mais antiga Casa de Cultura de São Paulo completa 24 anos
• Cultura
23/04/2009

Michelle Amaral, Silvia Gonçalves e Ana Paula Oliveira,
de São Paulo

Importante conquista de movimentos culturais do bairro de Itaim Paulista, a mais antiga Casa de Cultura da cidade de São Paulo completou nesta terça-feira (21) 24 anos de trabalho comunitário.
A Casa de Cultura do Itaim Paulista oferece aos moradores do bairro atividades e oficinas culturais gratuitas, desde artes plásticas até formação musical ou mesmo de preparo físico.
Sandro Lúcio Ivo, coordenador da Casa, afirma que é importante se ter um instrumento desse tipo na periferia da cidade, que traz à população mais pobre oportunidade de inserção no universo cultural, além de estimular os artistas de bairro.
“A grande mídia sempre coloca que a periferia de São Paulo nunca tem nada, não há cultura, não há lazer, não há divertimento. Pelo contrário, a periferia de São Paulo é onde se fabrica muita cultura", alega o coordenador.
Para o artista Plástico Ricardo Cardoso, que é colaborador da Casa, ela tem grande importância para a região porque envolve as crianças e jovens em atividades culturais, tirando-os da rua."É gratificante ver as crianças que participaram das oficinas desenhando, compondo poemas, pintando telas, fazendo gibis", completa.
Na Casa de Cultura são realizadas oficinas de danças, música, artes plásticas e esportes. Além disso, a Casa reserva um espaço para leitura e realiza um encontro mensal com poetas da região.
De acordo com Sandro, participam atualmente das atividades oferecidas na Casa cerca de 250 pessoas, entre 5 e 60 anos de idade.
A Casa é administrada pela Subprefeitura e subsidiada pela Secretaria Municipal de Cultura.

História
A Casa de Cultura do Itaim Paulista foi fundada em 21 de abril de 1985 a pedido de artistas locais que se reuniram e reivindicaram do prefeito da época um espaço onde pudessem se reunir e realizar atividades culturais voltadas à comunidade, conta o coordenador Sandro.
Segundo ele, o secretário de Cultura na época, Gianfrancesco Guarnieri, foi quem apoiou os artistas e acompanhou todo o processo de abertura da casa. Ele conta que antes da Casa os artistas se encontravam em uma sala em cima de uma padaria antiga do bairro.
Paulo Martins Campos, um dos fundadores da Casa de Cultura, afirma que inicialmente o espaço foi chamado de Centro Cultural do Itaim Paulista, mas por falta de verba, que acabou sendo destinada a espaços maiores, como o Centro Cultural São Paulo, em Vergueiro (bairro de classe média de São Paulo), a unidade do Itaim ficou apenas como uma casa.
Segundo o fundador, que na época era artesão, o principal objetivo dos artistas que lutaram pela construção desse espaço cultural no bairro era trazer arte e cultura à população da periferia da cidade.
“O maior objetivo era trazer arte e cultura, trazer mais envolvimento nessas coisas de padrão artístico para o pessoal da periferia, porque o nosso povo aqui infelizmente é muito carente em relação a isso", relata.

Falta de participação
No entanto, Patrícia Alves, funcionária da Casa de Cultura há 17 anos, lamenta que atualmente a participação da comunidade nas atividades desenvolvidas seja pequena. Segundo ela, a Casa enfrenta dificuldades no envolvimento dos moradores vizinhos nas atividades realizadas no espaço e no prestígio aos artistas locais, preferindo muitas vezes buscar cultura nos grandes centros da cidade.
“O único problema da gente é a população, porque tem um monte de coisa aqui na Casa de Cultura, totalmente gratuitas, mas o pessoal não procura. Você vai no centro da cidade e os meninos estão todos lá, aproveitando o que é gratuito e na periferia não", descreve.
Para Patrícia Alves, um dos motivos da baixa participação da comunidade na Casa de Cultura é falta de conhecimento, porque a instituição não tem muitos recursos para divulgação. A funcionária baseia-se no fato de que os moradores que fazem uma das oficinas culturais oferecidas, quando ficam sabendo de outra que está sendo aberta se matriculam e tornam-se assíduos na Casa.
“A comunidade não aprendeu a dar valor dentro da sua própria cultura de bairro", protesta o coordenador da Casa, que ressalta a importância de se reconhecer a arte feita nas comunidades. De acordo com ele, é exatamente esse reconhecimento que falta no bairro de Itaim Paulista e que faz com que a comunidade não usufrua das atividades realizadas pela Casa de Cultura. (Foto: Altair Benedito)

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